ECONOMIA

Auditores fiscais reagem a declarações de Bolsonaro contra Receita

Após reunião com empresários, presidente disse que Receita Federal “atrapalha o desenvolvimento do Brasil”.receita-federal-615x40085171

Auditores fiscais da Receita Federal reagiram nesta sexta-feira (6) às declarações de Jair Bolsonaro, que afirmou, em sua live tradicional de quinta-feira no Facebook, que a Receita “atrapalha o desenvolvimento do Brasil”.

A fala de Bolsonaro fez referência a queixas de empresários durante reunião Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) afirmou em nota que “uma parcela considerável” dos empresários é “pouca afeita a pagar impostos e acostumada a receber afagos do governo” e que, para eles, “reclamar do Fisco é o esporte nacional”.

“Quem atrapalha o desenvolvimento do país são os setores atrasados do empresariado brasileiro que, em vez de gerar emprego e investir em infraestrutura e tecnologia, passam a maior parte de seu tempo fazendo lobby para encontrar novas maneiras de explorar o Estado e penalizar a nação”, afirma a nota.

A entidade diz ainda que “autoridades públicas que promovem assédio institucional contra seus próprios órgãos” e “a equipe econômica que não investe na administração tributária” também atrapalham o país.

“Os ataques do chefe do poder executivo à sua própria equipe de auditores fiscais que se veem a cada dia mais vitimados pelo assédio institucional é um cenário que não se pode tolerar”, acrescenta a nota.

Confira a íntegra do documento:

UNAFISCO NACIONAL: NOTA DE REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA CONTRA A RECEITA FEDERAL

Não se sabe exatamente quais foram os relatos dos empresários que fizeram o chefe do Poder Executivo a dizer que a Receita Federal atrapalha o desenvolvimento do país. Mas para um segmento da sociedade que possui uma parcela considerável que é pouca afeita a pagar impostos e acostumada a afagos do governo (os grandes contribuintes recebem todos os anos privilégios tributários e renúncias fiscais ineficientes de mais de R$ 325 bilhões), reclamar do Fisco à maior autoridade política do país é o esporte nacional. 

Quem atrapalha o país são as autoridades públicas que promovem assédio institucional contra seus próprios órgãos, em vez de fortalecê-los. 

Quem atrapalha o país é a equipe econômica que não investe na administração tributária, ao contrário, age diariamente para fragilizá-la.  Uma administração tributária frágil não combate adequadamente o contrabando e descaminho que fragilizam a segurança pública e enfraquecem a indústria nacional. Uma administração tributária frágil não combate à sonegação, que supera anualmente a casa dos R$ 400 bilhões, distorcendo a concorrência saudável, desestimulando investimentos de empreendedores sérios e sufocando as contas públicas. 

Os ataques do chefe do poder executivo à sua própria equipe de auditores fiscais que se veem a cada dia mais vitimados pelo assédio institucional é um cenário que não se pode tolerar. A RFB é um órgão de Estado dos brasileiros, não de um governo transitório que não tem apreço pelo servidor público e incentiva atos que atentam contra os poderes da República. 

por Redação

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