20 de novembro

Negros são maioria no País, mas Consciência Negra ainda não é feriado nacional

consciencia

Apesar de pouco difundido, e muitos estados e municípios ainda não terem despertado para a importância da data, o Dia da Consciência Negra é comemorado no Brasil, no dia 20 de novembro. A data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

A data tornou-se feriado em diversos lugares do Brasil, mas de forma irregular onde poucos estados decretaram o feriado e alguns municípios isoladamente ( 1047 municípios brasileiros tornaram-na oficial). Apesar dos negros serem maioria no País (segundo o IBGE, os negros eram a maioria da população brasileira no censo de  2014, representando 53,6% da população), apenas os estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul possuem feriados decretados pelo Estado.

No Estado de São Paulo também não há decreto oficial para o feriado, entretanto 101 municípios paulistas aderiram à data para a celebração do dia. Amparo, Pedreira e Jaguariúna estão nesta lista.

Para o presidente do SindMetal, José Francisco Salvino – Buiú, a data é um momento de conscientização. ” No dia da Consciência Negra o objetivo é fazer uma reflexão sobre o relevo da cultura e do povo africano e o impacto que tiveram na evolução da cultura brasileira. Sociologia, política, religião e gastronomia entre várias outras áreas, foram profundamente influenciadas pelas culturas negra e africanas. É dia de comemorar e mostrar profundo apreço pela cultura afro-brasileira”.

Laércio Teodoro – o Negão do Sindicato,  e tesoureiro da entidade, “a data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um escravo líder do Quilombo dos Palmares que simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os brasileiros de raça negra. Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo”.

Quem foi Zumbi dos Palmares

O Dia da Consciência Negra  não celebra simplesmente a consciência afro-brasileira, que comemora 45 anos neste ano, mas relembra o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, líder da República dos Palmares – também conhecida como Quilombo dos Palmares – no dia 20 de novembro de 1695.

A cronologia da morte de Zumbi dos Palmares começa mesmo antes de seu nascimento. Em 1600, escravos negros foragidos dos engenhos de açúcar de Pernambuco fundam, na Serra da Barriga (CE), o Quilombo dos Palmares – 30 mil passam a morar na região.

Em 1644, após 14 anos de presença no nordeste brasileiro, os holandeses falham na invasão ao Quilombo. Em 1654, eles são expulsos pelos portugueses do nordeste.  Zumbi nasceu em 1655, em um dos acampamentos no Quilombo. Ainda jovem, ele foi aprisionado em 1662 e dado ao padre Antonio Melo que o batizou como Francisco. Ele ensinou ao jovem latim e português e, por sua vez, passou a ajudar o sacerdote em suas missas.

 

Durante 14 anos, entre 1680 e 1694, Zumbi liderou a República dos Palmares retaliando e afastando os ataques das tropas portuguesas. Porém, em 1694, com apoio da artilharia, os portugueses derrotaram Zumbi e destruíram a República dos Palmares.

Ferido e derrotado na Cerca do Macaco – principal mulambo dos Palmares – Zumbi ainda consegue fugir dos militares portugueses comandados por Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello.O líder negro ainda conseguiu viver durante um ano, até ser denunciado por um antigo companheiro. Zumbi foi localizado pelos portugueses, preso e degolado em 20 de novembro de 1695.

Zumbi lutou até a morte contra a escravidão, que só viria em 1888, com a abolição oficial da escravatura no Brasil,  193 anos após sua morte.

Fonte: Assecom SindMetal com informações da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social, RMC e IBGE

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