Artigo

Os Ganhos dos Trabalhadores nos Governos Lula e Dilma (2003-2014)

Nós, trabalhadores e movimento sindical, temos que permanecer alertas e denunciar a nocividade desta política, que contraria nossos interesses.

Estamos vivendo tempos difíceis, atualmente. Isto é inegável. A atual política econômica do Governo Dilma Rousseff, comandada pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, tem provocado situações desfavoráveis aos trabalhadores e chegam mesmo a ameaçar as conquistas passadas. Nós, trabalhadores e movimento sindical, temos que permanecer alertas e denunciar a nocividade desta política, que contraria nossos interesses.

Contudo, por questão de justiça, não podemos esquecer os benefícios que as políticas econômicas e sociais dos Governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2014) trouxeram aos trabalhadores.Neste artigo demonstraremos, brevemente, o quanto a classe trabalhadora foi beneficiada nesse período. (Os dados apresentados são do Caged, do Ministério do Trabalho e do IBGE).

Salário Mínimo

A começar, pela política de valorização do salário mínimo que passou de R$ 200,00 em janeiro de 2003 para R$ 724,00 em janeiro de 2014, apresentando um aumento nominal de 262% e um aumento real (acima da inflação) de 72,3%.

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Este aumento do salário mínimo, além de representar uma importante política de distribuição de renda para as camadas mais pobres (trabalhadores com menor potencial de organização e reivindicação), contribuiu para a formação de um ambiente econômico favorável aos trabalhadores mais organizados (com maior capacidade de mobilização e reivindicação e, consequentemente, com melhores salários), permitindo que os sindicatos conquistassem reajustes acima da inflação nas negociações coletivas da data-base.

 

Negociações Coletivas Data-Base

(reajuste igual ou acima da inflação)

Assim, enquanto em 2002 (último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso) apenas 54,7% das negociações coletivas resultaram em reajuste igual ou acima da inflação, em 2010 (último ano do Governo Lula) este índice saltou para 95,7% das negociações e em 2012 (segundo ano do Governo Dilma) atingiu a impressionante marca de 98,7%.

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Emprego/Desemprego

Outro fator que favoreceu os trabalhadores nos Governos Lula e Dilma foi a geração de emprego. Em 2002 (último ano do Governo FHC) havia 28,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada; no último ano do Governo Lula, 2010, este número foi de 44,1 milhões e em 2012 (segundo ano do Governo Dilma) atingiu 47,5 milhões, ou seja, houve um crescimento de 65,5%, enquanto a população cresceu apenas 11% no período.

 

Trabalhadores com carteira assinada

(em milhões)

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Também quando se fala em desemprego, os números foram bastante favoráveis aos trabalhadores no período 2003-2014. No último ano do Governo FHC, em 2002, a taxa de desemprego no Brasil foi de 12,6%. No último ano do Governo Lula, 2010, o desemprego ficou em 6,7% e em 2013 (terceiro ano do Governo Dilma), caiu para 5,4%. Mesmo hoje, com todas as dificuldades econômicas que estamos vivendo, a taxa de desemprego é de 7,6% (em setembro deste ano), ou seja, bem menor que no último ano de FHC.

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Taxa de Desemprego

Apesar das atuais dificuldades econômicas, a classe trabalhadora brasileira não pode perder de vista os avanços obtidos nos Governos Lula e no primeiro Governo Dilma. A par disso, precisamos, também, resistir e lutar contra qualquer tentativa do empresariado de, aproveitando-se de discursos catastrofistas em torno da crise, promover retrocessos em nossos ganhos e nossos direitos.

 

Por: Edson Luiz Netto, advogado do Sindmetal, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pelo Instituto de Economia da Unicamp

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