ENERGIA

Preço da conta de luz pode subir depois das eleições; entenda

Rádio Brasil de Fato entrevistou Gilberto Cervinski, coordenador do MAB, sobre os riscos da privatização do setor

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O processo de privatização do setor energético brasileiro, alavancado pelo governo Michel Temer (MDB), precisa ser interrompido com urgência pelo próximo presidente da República. A avaliação é de Gilberto Cervinski, coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que alerta para o risco de novos aumentos nas contas de luz.

“Criou-se um sentimento de que o que é privatizado é bom. De que quando se entrega para uma empresa particular, ela fica melhor. Isso não é verdade. Quando se privatiza, a conta de luz aumenta extraordinariamente, para gerar lucro”, explica. “O Brasil produz quase 80% de sua energia à base de água, que é de menor custo que o carvão ou gás. Então, temos condições de ter a tarifa mais baixa do mundo. Mas é o contrário: estamos entre a terceira e quarta mais caras”.

Cervinski utiliza como exemplo a gestão da água no estado de São Paulo. Nos últimos dois anos, as hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira foram privatizadas, e a população sentiu no bolso. Em julho deste ano, foi aprovado um reajuste médio de 15,84% na tarifa da Eletropaulo.

“Essas duas hidrelétricas, que eram da Cesp [Companhia Energética de São Paulo], agora pertencem a empresas chinesas. Elas têm um custo de 20 reais [por megawatt-hora (MWh)], por exemplo, e vendem para a Eletropaulo a 149 reais. E todo esse lucro está saindo do país como remessa de dividendos para a China. Não fica um centavo aqui”, completa.

O Brasil tem 170 hidrelétricas, o que significa um grande potencial de exploração energética. Por isso, segundo Cervinski, os investidores privados estão de olho na Eletrobrás – com apoio de Temer e sua base aliada.

“Eles não estão preocupados com o povo. Estão preocupados com os empresários, mas não deixam isso claro em época da eleição”, alerta. “As 47 hidrelétricas da Eletrobrás, que são públicas, vendem a energia quase a preço de custo. São as mais baratas do país, porque não precisam dar lucro”.

“Além da Eletrobrás, tem a Copel, no Paraná, e a Cemig, em Minas Gerais, que são a bola da vez das privatizações. Porque detêm ricas fontes de energia e os estados têm, no poder, defensores das privatizações”, analisa o coordenador nacional do MAB.

A possibilidade de Geraldo Alckmin (PSDB) ou Jair Bolsonaro (PSL) chegarem à Presidência da República anima os investidores, nesse sentido, porque abre caminho para a venda de companhias estatais. O cenário é preocupante e permite um retorno do “entreguismo” que predominou durante os dois mandatos Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002).

“As companhias de luz, devido ao processo de privatização dos anos 90, têm vínculo com empresas de fora, e por isso estão preocupadas com o lucro. Elas mudam a cor da bandeira, dependendo da quantidade de chuvas, para poder cobrar mais. A bandeira verde, que é a mais barata, só é acionada quando há excesso de chuvas. Quase sempre, o consumidor paga mais do que deveria. E a lei permite que os custos de produção sejam repassados para o povo pagar”, critica Cervinski.

“Quando o Lula (PT) assumiu o governo [em 2003], as privatizações cessaram, e recomeçaram os investimentos nas estatais. E aí, as empresas privadas também são obrigadas a baixar o preço”, explica.

O primeiro turno das eleições 2018 acontece neste domingo, 7 de outubro. Acompanhe a cobertura completa do Brasil de Fato.

Redação Brasil de Fato Edição: Diego Sartorato

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