
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) defende que a mobilização popular pela aprovação, no Senado, do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial expressa uma mensagem clara das ruas: a classe trabalhadora exige dignidade, descanso, saúde e respeito aos seus direitos.
A disputa em torno da jornada de trabalho evidencia, segundo a CTB, as diferenças concretas entre os projetos políticos em debate no país. De um lado, parlamentares comprometidos com a defesa dos trabalhadores e trabalhadoras; de outro, representantes alinhados aos interesses do patronato, que buscam preservar modelos de exploração e impedir avanços sociais.
Para a entidade, a ideia de que “todos os políticos são iguais” é uma armadilha que desmobiliza a sociedade e dificulta a compreensão sobre quem atua em defesa dos direitos sociais e quem trabalha para retirá-los. A CTB reforça que a luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada semanal para 40 horas, com pelo menos dois dias de descanso e sem redução de salários, tornou-se um exemplo pedagógico dessa diferenciação.
No Senado, a central aponta que setores vinculados ao bolsonarismo e ao empresariado têm atuado contra a proposta aprovada na Câmara Federal. A CTB critica especialmente iniciativas que mantêm a escala 6×1, instituem o salário por hora, fragilizam as negociações coletivas e podem permitir remuneração inferior ao salário mínimo. Para a entidade, tais propostas representam grave ameaça aos direitos trabalhistas e à organização sindical.
A CTB também relembra que os direitos da classe trabalhadora no Brasil são resultado de longas lutas históricas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, consolidou garantias como férias, jornada de oito horas e regulamentação da Justiça do Trabalho. Já a Constituição de 1988 ampliou conquistas democráticas e sociais, reduzindo a jornada, fortalecendo a seguridade social, criando o SUS e equiparando direitos de trabalhadores urbanos e rurais.
A central afirma que os retrocessos impostos nas últimas décadas, especialmente por agendas neoliberais, demonstram a necessidade permanente de mobilização social. Entre os ataques citados estão a ampliação da terceirização, a prevalência do negociado sobre o legislado, o trabalho intermitente, a restrição à atuação da Justiça do Trabalho e o enfraquecimento das entidades sindicais.
Diante desse cenário, a CTB destaca a responsabilidade das lideranças sindicais em intensificar o diálogo com as bases, fortalecer a consciência de classe e orientar a categoria sobre os projetos em disputa. Para a entidade, as eleições de outubro serão decisivas para que trabalhadores e trabalhadoras saibam identificar quem defende seus direitos e quem atua contra suas conquistas.
“Entre os trabalhadores, é comum ouvir que todos os políticos são iguais. Essa ideia é falsa e serve para confundir o povo. Existem parlamentares que defendem a classe trabalhadora e outros que representam diretamente os interesses do patronato”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB.
“A luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem redução de salários é uma pauta civilizatória. Ela trata de saúde, bem-estar, dignidade e direito ao descanso. O Senado precisa ouvir a mensagem das ruas”, reforça Araújo.
“O voto não pode ser entregue àqueles que atuam contra os direitos e conquistas da nossa classe. A consciência política é uma arma poderosa para impedir retrocessos e avançar rumo a uma sociedade mais justa e igualitária”, conclui o presidente da CTB.
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