
No Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP) emite um alerta contundente sobre a intrínseca relação entre as condições de trabalho e o adoecimento mental da classe trabalhadora. Em consonância com a campanha Setembro Amarelo, a CTB-SP defende ambientes laborais seguros e saudáveis como pilar fundamental na prevenção do suicídio.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP) reitera que a discussão sobre a prevenção do suicídio transcende a esfera individual, exigindo uma análise profunda das condições de vida e de trabalho. Fatores como jornadas excessivas, pressão constante por resultados, metas abusivas, assédio moral, insegurança no emprego, baixos salários e a precarização das relações de trabalho são identificados como contribuintes significativos para o sofrimento psíquico dos trabalhadores.
A saúde mental, reconhecida pelo Ministério da Saúde como um fenômeno complexo e multifatorial, demanda ações articuladas de diversos setores sociais e políticas públicas. No âmbito do trabalho, a atenção aos riscos psicossociais tem ganhado destaque. O Ministério do Trabalho e Emprego sublinha a importância de as empresas identificarem e prevenirem fatores relacionados à organização e às condições de trabalho que podem impactar a saúde dos trabalhadores, incluindo excesso de demandas, falta de autonomia, relações profissionais inadequadas, violência, assédio e problemas na organização do trabalho. O Ministério Público do Trabalho, por sua vez, mantém uma frente de atuação específica para promover ambientes psicossocialmente seguros e prevenir adoecimentos relacionados ao labor.
A CTB-SP enfatiza a urgência de romper com a premissa de que o trabalhador deve simplesmente “aprender a lidar” com ambientes que geram sofrimento. A prevenção, segundo a Central, passa invariavelmente pela reorganização do trabalho. Isso implica em combater o assédio moral e sexual, estabelecer jornadas que respeitem os limites humanos, enfrentar metas abusivas, garantir períodos adequados de descanso, fortalecer a proteção contra acidentes e doenças ocupacionais e assegurar canais efetivos para denúncias e acolhimento. Além disso, é crucial garantir o acesso dos trabalhadores aos serviços públicos de saúde e às políticas de atenção à saúde mental.
A organização sindical desempenha um papel estratégico nesta luta, denunciando situações de assédio e adoecimento, cobrando mudanças das empresas, negociando melhores condições de trabalho e incluindo a saúde mental nas convenções e acordos coletivos. O próprio Ministério Público do Trabalho destaca a relevância da articulação com o movimento sindical para incorporar a saúde mental nas relações de trabalho e fortalecer a prevenção dos riscos psicossociais.
A CTB-SP ressalta que defender a saúde mental é defender um modelo de trabalho que respeite a vida e a dignidade dos trabalhadores. A Central reforça que ninguém deve enfrentar sozinho uma situação de sofrimento, incentivando a busca por ajuda profissional e apoio de redes de saúde, familiares e pessoas de confiança, especialmente em momentos de crise. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Contudo, o acolhimento individual precisa caminhar lado a lado com mudanças coletivas. Neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a CTB-SP reafirma que defender a vida também é lutar contra o assédio, a exploração, a precarização e todas as formas de trabalho que adoecem. Um trabalho digno precisa ser também um trabalho que preserve a saúde, a segurança e a vida de quem trabalha.
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