
Com a votação marcada para ser concluída até 27 de maio na Câmara dos Deputados, a Federação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (Fitmetal) chama seus sindicatos filiados e a categoria a intensificarem, imediatamente, a pressão pública e direta sobre parlamentares para garantir a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
A ofensiva legislativa entrou em sua fase mais decisiva após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar o prazo de conclusão da votação do novo marco trabalhista. Na véspera, o texto-base será apreciado na comissão especial, sob relatoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Um acordo entre a Presidência da Câmara e o governo federal definiu os termos do relatório: redução da jornada para 40 horas semanais, manutenção integral dos salários e, na prática, o encerramento definitivo da escala 6×1.
Em paralelo, a Câmara discutirá o Projeto de Lei (PL) 1838/26, enviado pelo Executivo, com o objetivo de fortalecer as negociações coletivas e considerar as especificidades de cada categoria. A Fitmetal manifesta apoio à indicação da deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) para a relatoria do projeto.
Para a Fitmetal, a conjuntura abre uma janela histórica conquistada pela pressão do movimento sindical e pela mobilização dos trabalhadores. A entidade destaca que os metalúrgicos e metalúrgicas têm papel central nessa batalha, lembrando que foi da classe operária que partiram marcos anteriores de redução da jornada: das 48 horas no período Vargas às 44 horas consagradas na Constituição de 1988.
A federação ressalta que a redução da jornada beneficia toda a sociedade ao devolver tempo e dignidade: mais convivência familiar, estudo, lazer, participação comunitária e cuidado com a saúde. Ao mesmo tempo, alerta para a tentativa de setores conservadores e patronais de adiar, desidratar ou impor transições prolongadas ao texto, retirando seu alcance real.
Por isso, a Fitmetal convoca uma mobilização máxima da base, com plenárias, assembleias, panfletagens, rodas de conversa e pressão organizada sobre deputados federais nos estados, nas bases eleitorais, nos aeroportos e nos gabinetes. A orientação é cobrar compromisso público, exigir voto favorável e denunciar quem atuar contra os trabalhadores.
A Fitmetal também chama a categoria a fortalecer as ações nacionais convocadas pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio das centrais sindicais. Estão no calendário a Semana Nacional de Mobilização e Agitação (15/5 a 23/5), o Dia Nacional de Lutas pelo Fim da Escala 6×1 (24/5) e as jornadas de acompanhamento da votação (26/5 e 27/5), com atos nos locais de trabalho e nas ruas.
Desde sua fundação, em 2010, a federação afirma defender a redução da jornada sem redução salarial como medida estratégica frente aos ganhos de produtividade e aos avanços tecnológicos, que, segundo a entidade, devem também beneficiar os trabalhadores e não apenas ampliar margens de lucro. A Fitmetal aponta ainda que jornadas extenuantes intensificam adoecimento físico e mental e restringem quase totalmente o tempo livre de milhões de brasileiros.
“Estamos diante de um momento decisivo: a redução da jornada para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, pode se tornar uma das maiores conquistas trabalhistas das últimas décadas mas não virá sem luta”, afirma a direção da Fitmetal.
“É hora de pressionar, mobilizar e vencer. Cada sindicato sabe onde pressionar e quais parlamentares cobrar. Nenhum deputado pode sair ileso dessa votação: ou estará ao lado de quem trabalha, ou ficará marcado como defensor da exploração”, reforça a federação.
“Cada hora roubada do descanso é uma hora roubada da vida e a escala 6×1 tem sido a maior ladra do tempo da classe trabalhadora. A vida não pode esperar”, conclui a entidade.
Fitmetal
A Federação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (Fitmetal) é uma entidade sindical fundada em 2010, que representa sindicatos e trabalhadores metalúrgicos em diferentes estados do país. A federação atua na defesa de direitos trabalhistas, no fortalecimento da negociação coletiva e na mobilização por melhores condições de trabalho, com destaque para a pauta histórica da redução da jornada sem redução salarial, em unidade com o movimento sindical e as centrais, como a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).
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