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Sindicalismo 2: novas formas de resistência

Sindicalismo 2: novas formas de resistência

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Os dados dramáticos sobre desemprego, informalidade, queda de renda e precarização, entre outros, evidenciam que o sindicalismo hoje é mais necessário do que nunca. No passado, esse serviu para obter conquistas; atualmente, é essencial para evitar retrocessos. Passou a ser uma questão de sobrevivência dos trabalhadores.

Sem sindicatos, o assalariado será reconduzido à condição de escravidão, humilhado e sugado. Essa compreensão cresce no mundo inteiro e os exploradores testam novas formas de resistência e de organização de classe. Em meados de outubro a jornalista Lúcia Guimarães, da Folha em Nova York, relatou o clima de revolta trabalhista nos EUA.

“A covid exacerbou décadas de descontentamento com o declínio de salários e o esgarçamento da rede de proteção social”, descreve a matéria que aborda o inusitado pedido de 4,6 milhões de demissões voluntárias. “Os americanos trabalham mais do que qualquer outra população nos países ricos; não é incomum uma semana de 50 horas de jornadas”.

Ela também descreve a criação, em Nova York, do grupo “Los Deliveristas Unidos, que reúne número estimado de 80 mil entregadores de refeições e alimentos, a maioria trabalhando para serviços de aplicativos como Uber Eats. Em setembro, a Câmara Municipal aprovou a primeira lei do país de proteção aos “deliveristas” — salário mínimo, acesso a banheiros e outras melhorias para a explorada categoria que se mostrou crucial durante a quarentena”.

O sociólogo Ricardo Antunes, um dos maiores especialista no tema, tem estudado estas novas formas de resistência em outros países. Essas atuam num cenário adverso e ainda são embrionárias, mas já mostram potencial e merecem atenção. “Nenhuma delas é modelo; algumas nascem e desaparecem; outras continuam”, explica, ao destacar experiências inovadoras de organização do “precariado” no Reino Unido, Itália, Espanha e EUA que “podem auxiliar a propor soluções para a crise do sindicalismo brasileiro”.

Desafios dos novos tempos

Com base na rica história do sindicalismo brasileiro — recheada de lutas, vitórias, derrotas e heroísmo —, e nas atuais experiências de resistência num mundo do trabalho mais complexo, fragmentado e adverso, é preciso definir os desafios dos novos tempos.

Alguns são estruturantes. O sindicalismo dever ter como prioridade permanente mobilizar, conscientizar e organizar a classe na luta pelos interesses imediatos e futuros. Estas 3 tarefas são estratégicas no enfrentamento dos efeitos mais imediatos e das causas mais profundas da exploração capitalista.

Nesse esforço não basta a luta econômica e corporativa. Essa é fundamental, é a razão de existência dos sindicatos, mas é insuficiente. É preciso politizar e unir toda a classe. Sem interferir nos rumos políticos do País, congregando todas as categorias formais e também os explorados informais, os trabalhadores não avançarão nas conquistas da classe.

Para politizar e unir a classe é indispensável investir cada vez mais na comunicação, na disputa de ideias e hegemonia na sociedade, e na formação de novas lideranças. A estas tarefas, que são permanentes, é urgente somar novos desafios.

O sindicalismo precisa ser revolucionado. Do contrário, vegetará e ficará frágil diante das mudanças e dos ataques em curso. Algumas indagações devem nos incomodar: o sindicalismo está conseguindo mobilizar e organizar os jovens e as mulheres, que hoje compõem a maioria dos trabalhadores?

Ele tem dedicado atenção à luta contra o racismo e todas as formas de discriminação, servindo como instrumento de todos os oprimidos? Tem conseguido dialogar com as vastas camadas de trabalhadores informais, terceirizados, precarizados, uberizados? O sindicalismo disputa os territórios nos bairros e nos espaços de cultura, que hoje reúnem essas amplas camadas de jovens trabalhadores que procuram novas formas de organização?

O momento atual, desafiador e perturbador, coloca mais perguntas do que respostas. As experiências concretas, com erros e acertos, e a inteligência coletiva da classe saberão dar respostas a estas e outras indagações. Enquanto houver exploração e opressão haverá sindicalismo. Mas ele precisa se reinventar sempre!

Altamiro Borges, Jornalista. É coordenador do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé

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